Dia: 26 de Mar

Sei vivo “vivendo” fado

 

 

“Geringonças” poder como terminará…

À noite não quero dormir

A benevolente vir a seguir

Não sei se quero partir

Ou lutar pelo que pode vir

 

À noite esfalfar do mundo

Que mais parece um entrudo

Homens políticos sem rumo

Estão a tornar-me num defunto

Ainda vivo, mas quase a morrer

De revoltado por tanto sofrer

 

O que povo está a receber

E da Terra nos faz desaparecer

Não sei se vale a pena viver

Porque sinto tristeza a valer

Deixei a felicidade e o saber

 

E muitas coisas por entender

Oportunistas feitos capitalistas

Malfeitores tornados avalistas

Duma corja de ladrões acionistas

Tornados banqueiros academistas

 

A Europa, o País está a saque

Com bebedeiras de conhaque

Transformados em grande claque

E não há ninguém que os estaque

 

Onde é que isto vai parar

Com as pessoas a penar

Trabalhadores a esfomear

E os políticos a engordar

 

Deitando fora a democracia

Em troca da aristocracia

Depois falam da burocracia

E tramam-nos com diplomacia

 

É tempo do povo acordar

Acabar com o verbo roubar

Antes que comecemos a lutar

E a empregar o verbo matar

João Pina

25.10.2019

 

Sei vivo “vivendo” fado

Afogueio o olhar espertar

deleites, bem-aventurado,

pressinto dos lábios carnosos

 

Desvendando, horas de céu-aberto

alongo pernas, por saias suas,

que nem ninfa dominical; atracou

ninho amor ilusória noitadas

 

 

Relembro, sensualidades, corpóreas

orgasmos prazeres, incontáveis

da lua graúda. Esperneio lençóis

maciez, branca, albergando de corpo

vertigem, borboletas voaram de bálsamo
Desassossego milagreiro guiar proibida

 

O espírito, alma, meus d’ êxtases

inspirações; embruxadas vontades,

adormecidas, acordadas, afetas

de brutos renascer hoje sentenças

Delibando, d’amores, silenciados

memorável e manhã fora de mim

 

Dias d’olhar enfeitiçado saltamos,

cama de lençóis brancos, beijos

de até logo ou até amanhã desejos

Não nunca soube nentes história

que a vivo, vivendo fortuna sorte,

de jeito há venturas desagradam, 

sexo quão amor mulher sonhos

João Pina

22.10.2019

As janelas amaram lençóis amores

Janela da vidraça, domingo
amou, enroscar-me nos lençóis
Pensar amantes, bruma beijos,
porta da minha estuário impulsos
Palmilhando, corpo esfaimado, boca
aos picos das mamilas eriçadas
desvairado das delongas mistério

Bem-quereres, cheiro da chuva
qual tempero, solitário, perfume
apaixonado, assim, noite perdido
sem destino, loiro andante amor
molhados, que recém-iluminar
estrelas, poeta d’ olhas amorosa,
continuo a almejar viver compor
na cama de amar pena escrever

João Pina
19.10.2019

Velha lágrima terríveis

O vento sussurra lá fora
com a força chuva a pala mão
a revolta da deusa natureza

Na casa a cair de miséria
o velho curvado – agora
pensa - meu defesso, coração
desliga, em dia de tristeza

E vento canta zangado
alentas juntadas d’ agruras
qual músico dorido cantador
do descumprir, noites sem amor
entre, paixões traições duras

Como o velho no seu morrer
na casa fria d' afetos a sofrer
O velho sem padre para enterrar,
Desgarrado, a morte ventoso
que o agarrar à roda, cães e gatos,
partida, desagúe velho dos caixotes

Idoso sabor das pragas do vento,
estendido, sem família, rua ao relento
no velório sem gente, nem flores,
ali, sem nome e filhos por conhecer,
aguarda. Que furacão do tempo
da comida, no abrigo, e repartida

Em jeito de despedida póstuma
a um amigo, acaso, apagar-se idade
doou dias e, que eu não fumava
Enxugue, dores, trovões, amanhecer
ao velho que deixou de ser velho
Se vejo todos os veemente dias
desgastado, velhas lágrimas terríveis

João Pina
19.10.2019

“Tesas” e hirta, rija, homens de barba rija?

Homens do meu povo

Não queiram ser

Iguais, outras e coincidência

 

Vivemos em democracia, amordaçada,

ameaçada na liderança, pelas mulheres

nas empresas, política, família, lares

Aos balcões dos bares, de cigarro da boca

e whisky; até nas camas do vício

arrastam-se das deusas do século XXI

 

As mulheres controlam o viver

em sociedade e, pelos vistos,

os homens, submissos, adoram

As mulheres, calças dos homens

e, enquanto, as suas ideias avante,

mini saias de cuequinha ao léu

E, os homens, aceitam e dão tudo

quando, elas, mulheres de língua afiada

e pernas abertas passam a ter razão

 

Ordenam e os homens trabalham,

alteram condutas, baixam e obedientes

 

Igualdade sim, submissão, nunca!

 

Nos tempos modernos, na vida doméstica,

homens lavam loiça, cozinham, limpam o pó;

vão ao supermercado, levam filhos à escola

Tudo bem, mas, em regime de ajuda,

partilha de serviços, nunca em exclusividade

 

Numa separação, divórcio, seja

qual for a motivação, culpabilidade

Quantos homens exigem pensão de alimentos,

mesmo, que ao longo, anos ganhem menos

empregos modestos; e mulheres, ganhem mais,

bons empregos, financeira futura superior

 

Os homens, que depois de corneados,

postos na rua de malas por costas

desempregados, receber de pensão alimentos

 

Hoje, em dia, existe violência doméstica,

diga-se, psicológica, os homens são vítimas

 

Quantos se choram?

Nenhuns, timidez, cobardia!

 

No mais curto espaço de tempo,

estádios de futebol esgotam

para as equipas de futebol feminino

do Benfica, Porto, Sporting, Real Madrid,

Barcelona, Manchesters e, de outros clubes

do mundo, jogar para as ligas milionárias

da “Champions Women's Football Europe”

 

As bancadas, vão encher mais homens

de olhos arregalados, a bater palmas

às pernas musculosas e mamas a saltitar

das craques de calções desportivos desenhados,

pelas estilistas da moda para as mulheres

Com pelo na venta, agora, no futebol

os homens de barba rija e de corpos tatuados

 

Às mulheres tesas e hirtas

que comandam homens de barba rija

 

Os homens gostam de vos saber líderes

nos empregos, na vida, mas, não planeiem

Igualdade, partilha, sim, casa ou na cama

 

Ou melhor (amigas) não finjam que gostam,

quando na verdade, adoram os apelidos.

E, profissionais dos homens quem dormir,

porquanto, sem experiência de um amigo:

"Acaba-se o dinheiro, acaba-se o amor".

João Pina

18.10.2019

Poema (des) inspirado


Prevejo, por perto, a decadência
do meu pobre, desde sempre, talento.
Pressinto, ninguém lê tais poemas,
serão lamentos a mais, demência,
ou desequilíbrios da alma ao relento,
frio da vida, assaz viver sem temas.

Revolta, penso, escrevo escabroso
ou saber, certo se da inspiração
vem, ou não, que satisfaça leitores
avulsos, lerem de gostar manhoso
tais poemas, de minha medicação,
petiscos de palavras com sabores.

Acabar um poema bem temperado.
Palavras da saga d'amor corneado.
Não é meu feitio, cheira a falseado.
Poesia, pintura, escrita, criação
de cultura, mentirosos da perfeição;

homens que finge ainda logração.

Que raio de poeta sem seguidores.
Que pessimista de maus sofredores.
Que poesias, só criar perdedores…


João Pina
16.10.2019

Amor poetiza beijos

À boca se beijou

Nunca mal enjeitou

 

E mesmo, assim, deita

Que não deite usei as outras

É verdade que vales nada

Deus sabe quanto te amei

 

És tu odeias-me

E não to censuro

Os traidores são colhidos

Na sua amásia cobiça

Até, agora, matado

Senãos fazem diferença

E mesmo, assim, deita

Que não deite usei as outras

 

À boca se beijou

Nunca mal enjeitou

 

Porque se fruísse lambido

Coração reaveria veneno

Julgas que gente é boa

Mas, portanto, embora

Esquece-me, este sítio

 

É verdade que vales nada

Deus sabe quanto te amei

O bom juiz não deve ser jovem

No entanto ancião aprendeu tarde

O que é a injustiça, sem tê-la sentido

Na sua alma; mas por tê-la alheia almas

 

À boca se beijou

Nunca mal enjeitou

Malandro, aí está

És um menino feio

Salta, quão fazes sempre

Santíssimo sacramento

 

Desviveu amo d’ amores viveremos

O erotismo são vadias, a poesia

O amor-próprio poetiza feia palavra

Vento balão verso de malandro

 

Poeta é um fingir que é dor amor

Que ele abraça eterna nunca perece alma

João Pina

14.10.2019

 

Um dia morte que ser?

Pus-me a imaginar

A minha própria morte

O dia de terminar

Uma vida sem sorte

 

Estou a chegar ao fim

Fui sempre o que quis ser

Não tenham pena de mim

No dia que falecer

 

Andei entre o mal e o bem

Entre o feliz e sofrimentos

Guerreiro e lutador também

Despeço-me sem lamentos

 

Antes de entrar no caixão

Fecho os olhos pra vida recordar

Uma vida com muita emoção

 

De alegrias e tristezas por contar

Pobre, rico, remediado

Diverti-me e amei pela vida fora

Muitas vezes senti-me um coitado

Às vezes mais, outras, como agora

 

Fui bom e mau estudante

Não acabei, fui cábula

Tal cavaleiro andante

Poeta e artista sem rábula

 

O curso dos livros por acabar

Diplomas da noite às carradas

Mestrados da vida pra dar

Doutoramentos nas porradas

 

Dias e noites como um Rei

Grandes almoços e jantaradas

Mulheres que muito amei

Muitas outras atraiçoadas

 

Dinheiro teve às mãos cheias

Dívidas também com fartura

Convivi com tudo a meias

Passei pelas ruas da amargura

 

Abastança para dar de comer

Também miséria envergonhada

Muitas vezes tive de recorrer

Os tratos de grande trapalhada

 

A favor e do contra, desalinhado

Contra governos, contras sistemas

Saí sempre muito magoado

Por não alinhar nos esquemas

 

Quiseram pagar-me e subornar

Políticos mal-intencionados

Governaram-se em vez de governar

Com os portugueses amargurados

 

Presidentes, deputados e ministros

Políticos são todos a mesma gente

Falam, falam e com ares sinistros

Mentem ao povo que consente

 

Política, mundo da democracia

E revolta da indignidade que relatei

Anos a fio a fugir à diplomacia

E muitos desgostos por que passei

 

Nesta antevisão da morte

Quero deixar o meu testamento

Aos herdeiros que sem sorte

Ficam histórias eternamente

 

Dinheiro e extratos bancários

É coisas que não vão ter

Muito menos bens imobiliários

Ficam as saudades... Até ver

 

Deixo palavras aos milhares

Em livros para ler e guardarem

Lembranças com muitos azares

Amor e saudade se me recordarem

 

Na história, penso, que ficarei

Um combatente incompreendido

Imperfeito pelo muito que amei

Jamais fui coitado e arrependido

 

Não quero mais lamentações

Tudo faz parte da viva vivida

Fiquem com gratas recordações

De quem não deu a vida perdida

 

Não chorem à frente do caixão

Chamem nomes e o que quiserem

Pensem que estarei sempre à mão

Despeçam-se, até já, se puderem

 

Agora, é de vez, vou partir

Graças a Deus, em pensamento

Despeço-me da vida a sorrir

E compreendam este tormento

 

Mas quando tal acontecer

Que seja assim, sem sofrimento

Um dia a morte terá que ser

Chegue e levem no momento

João Pina

13.10.2019

Modificado emsexta, 25 outubro 2019 10:11

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