Sei vivo “vivendo” fado
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“Geringonças” poder como terminará…
À noite não quero dormir
A benevolente vir a seguir
Não sei se quero partir
Ou lutar pelo que pode vir
À noite esfalfar do mundo
Que mais parece um entrudo
Homens políticos sem rumo
Estão a tornar-me num defunto
Ainda vivo, mas quase a morrer
De revoltado por tanto sofrer
O que povo está a receber
E da Terra nos faz desaparecer
Não sei se vale a pena viver
Porque sinto tristeza a valer
Deixei a felicidade e o saber
E muitas coisas por entender
Oportunistas feitos capitalistas
Malfeitores tornados avalistas
Duma corja de ladrões acionistas
Tornados banqueiros academistas
A Europa, o País está a saque
Com bebedeiras de conhaque
Transformados em grande claque
E não há ninguém que os estaque
Onde é que isto vai parar
Com as pessoas a penar
Trabalhadores a esfomear
E os políticos a engordar
Deitando fora a democracia
Em troca da aristocracia
Depois falam da burocracia
E tramam-nos com diplomacia
É tempo do povo acordar
Acabar com o verbo roubar
Antes que comecemos a lutar
E a empregar o verbo matar
João Pina
25.10.2019
Sei vivo “vivendo” fado
Afogueio o olhar espertar
deleites, bem-aventurado,
pressinto dos lábios carnosos
Desvendando, horas de céu-aberto
alongo pernas, por saias suas,
que nem ninfa dominical; atracou
ninho amor ilusória noitadas
Relembro, sensualidades, corpóreas
orgasmos prazeres, incontáveis
da lua graúda. Esperneio lençóis
maciez, branca, albergando de corpo
vertigem, borboletas voaram de bálsamo
Desassossego milagreiro guiar proibida
O espírito, alma, meus d’ êxtases
inspirações; embruxadas vontades,
adormecidas, acordadas, afetas
de brutos renascer hoje sentenças
Delibando, d’amores, silenciados
memorável e manhã fora de mim
Dias d’olhar enfeitiçado saltamos,
cama de lençóis brancos, beijos
de até logo ou até amanhã desejos
Não nunca soube nentes história
que a vivo, vivendo fortuna sorte,
de jeito há venturas desagradam,
sexo quão amor mulher sonhos
João Pina
22.10.2019
As janelas amaram lençóis amores
Janela da vidraça, domingo
amou, enroscar-me nos lençóis
Pensar amantes, bruma beijos,
porta da minha estuário impulsos
Palmilhando, corpo esfaimado, boca
aos picos das mamilas eriçadas
desvairado das delongas mistério
Bem-quereres, cheiro da chuva
qual tempero, solitário, perfume
apaixonado, assim, noite perdido
sem destino, loiro andante amor
molhados, que recém-iluminar
estrelas, poeta d’ olhas amorosa,
continuo a almejar viver compor
na cama de amar pena escrever
João Pina
19.10.2019
Velha lágrima terríveis
O vento sussurra lá fora
com a força chuva a pala mão
a revolta da deusa natureza
Na casa a cair de miséria
o velho curvado – agora
pensa - meu defesso, coração
desliga, em dia de tristeza
E vento canta zangado
alentas juntadas d’ agruras
qual músico dorido cantador
do descumprir, noites sem amor
entre, paixões traições duras
Como o velho no seu morrer
na casa fria d' afetos a sofrer
O velho sem padre para enterrar,
Desgarrado, a morte ventoso
que o agarrar à roda, cães e gatos,
partida, desagúe velho dos caixotes
Idoso sabor das pragas do vento,
estendido, sem família, rua ao relento
no velório sem gente, nem flores,
ali, sem nome e filhos por conhecer,
aguarda. Que furacão do tempo
da comida, no abrigo, e repartida
Em jeito de despedida póstuma
a um amigo, acaso, apagar-se idade
doou dias e, que eu não fumava
Enxugue, dores, trovões, amanhecer
ao velho que deixou de ser velho
Se vejo todos os veemente dias
desgastado, velhas lágrimas terríveis
João Pina
19.10.2019
“Tesas” e hirta, rija, homens de barba rija?
Homens do meu povo
Não queiram ser
Iguais, outras e coincidência
Vivemos em democracia, amordaçada,
ameaçada na liderança, pelas mulheres
nas empresas, política, família, lares
Aos balcões dos bares, de cigarro da boca
e whisky; até nas camas do vício
arrastam-se das deusas do século XXI
As mulheres controlam o viver
em sociedade e, pelos vistos,
os homens, submissos, adoram
As mulheres, calças dos homens
e, enquanto, as suas ideias avante,
mini saias de cuequinha ao léu
E, os homens, aceitam e dão tudo
quando, elas, mulheres de língua afiada
e pernas abertas passam a ter razão
Ordenam e os homens trabalham,
alteram condutas, baixam e obedientes
Igualdade sim, submissão, nunca!
Nos tempos modernos, na vida doméstica,
homens lavam loiça, cozinham, limpam o pó;
vão ao supermercado, levam filhos à escola
Tudo bem, mas, em regime de ajuda,
partilha de serviços, nunca em exclusividade
Numa separação, divórcio, seja
qual for a motivação, culpabilidade
Quantos homens exigem pensão de alimentos,
mesmo, que ao longo, anos ganhem menos
empregos modestos; e mulheres, ganhem mais,
bons empregos, financeira futura superior
Os homens, que depois de corneados,
postos na rua de malas por costas
desempregados, receber de pensão alimentos
Hoje, em dia, existe violência doméstica,
diga-se, psicológica, os homens são vítimas
Quantos se choram?
Nenhuns, timidez, cobardia!
No mais curto espaço de tempo,
estádios de futebol esgotam
para as equipas de futebol feminino
do Benfica, Porto, Sporting, Real Madrid,
Barcelona, Manchesters e, de outros clubes
do mundo, jogar para as ligas milionárias
da “Champions Women's Football Europe”
As bancadas, vão encher mais homens
de olhos arregalados, a bater palmas
às pernas musculosas e mamas a saltitar
das craques de calções desportivos desenhados,
pelas estilistas da moda para as mulheres
Com pelo na venta, agora, no futebol
os homens de barba rija e de corpos tatuados
Às mulheres tesas e hirtas
que comandam homens de barba rija
Os homens gostam de vos saber líderes
nos empregos, na vida, mas, não planeiem
Igualdade, partilha, sim, casa ou na cama
Ou melhor (amigas) não finjam que gostam,
quando na verdade, adoram os apelidos.
E, profissionais dos homens quem dormir,
porquanto, sem experiência de um amigo:
"Acaba-se o dinheiro, acaba-se o amor".
João Pina
18.10.2019
Poema (des) inspirado
Prevejo, por perto, a decadência
do meu pobre, desde sempre, talento.
Pressinto, ninguém lê tais poemas,
serão lamentos a mais, demência,
ou desequilíbrios da alma ao relento,
frio da vida, assaz viver sem temas.
Revolta, penso, escrevo escabroso
ou saber, certo se da inspiração
vem, ou não, que satisfaça leitores
avulsos, lerem de gostar manhoso
tais poemas, de minha medicação,
petiscos de palavras com sabores.
Acabar um poema bem temperado.
Palavras da saga d'amor corneado.
Não é meu feitio, cheira a falseado.
Poesia, pintura, escrita, criação
de cultura, mentirosos da perfeição;
homens que finge ainda logração.
Que raio de poeta sem seguidores.
Que pessimista de maus sofredores.
Que poesias, só criar perdedores…
João Pina
16.10.2019
Amor poetiza beijos
À boca se beijou
Nunca mal enjeitou
E mesmo, assim, deita
Que não deite usei as outras
É verdade que vales nada
Deus sabe quanto te amei
És tu odeias-me
E não to censuro
Os traidores são colhidos
Na sua amásia cobiça
Até, agora, matado
Senãos fazem diferença
E mesmo, assim, deita
Que não deite usei as outras
À boca se beijou
Nunca mal enjeitou
Porque se fruísse lambido
Coração reaveria veneno
Julgas que gente é boa
Mas, portanto, embora
Esquece-me, este sítio
É verdade que vales nada
Deus sabe quanto te amei
O bom juiz não deve ser jovem
No entanto ancião aprendeu tarde
O que é a injustiça, sem tê-la sentido
Na sua alma; mas por tê-la alheia almas
À boca se beijou
Nunca mal enjeitou
Malandro, aí está
És um menino feio
Salta, quão fazes sempre
Santíssimo sacramento
Desviveu amo d’ amores viveremos
O erotismo são vadias, a poesia
O amor-próprio poetiza feia palavra
Vento balão verso de malandro
Poeta é um fingir que é dor amor
Que ele abraça eterna nunca perece alma
João Pina
14.10.2019
Um dia morte que ser?
Pus-me a imaginar
A minha própria morte
O dia de terminar
Uma vida sem sorte
Estou a chegar ao fim
Fui sempre o que quis ser
Não tenham pena de mim
No dia que falecer
Andei entre o mal e o bem
Entre o feliz e sofrimentos
Guerreiro e lutador também
Despeço-me sem lamentos
Antes de entrar no caixão
Fecho os olhos pra vida recordar
Uma vida com muita emoção
De alegrias e tristezas por contar
Pobre, rico, remediado
Diverti-me e amei pela vida fora
Muitas vezes senti-me um coitado
Às vezes mais, outras, como agora
Fui bom e mau estudante
Não acabei, fui cábula
Tal cavaleiro andante
Poeta e artista sem rábula
O curso dos livros por acabar
Diplomas da noite às carradas
Mestrados da vida pra dar
Doutoramentos nas porradas
Dias e noites como um Rei
Grandes almoços e jantaradas
Mulheres que muito amei
Muitas outras atraiçoadas
Dinheiro teve às mãos cheias
Dívidas também com fartura
Convivi com tudo a meias
Passei pelas ruas da amargura
Abastança para dar de comer
Também miséria envergonhada
Muitas vezes tive de recorrer
Os tratos de grande trapalhada
A favor e do contra, desalinhado
Contra governos, contras sistemas
Saí sempre muito magoado
Por não alinhar nos esquemas
Quiseram pagar-me e subornar
Políticos mal-intencionados
Governaram-se em vez de governar
Com os portugueses amargurados
Presidentes, deputados e ministros
Políticos são todos a mesma gente
Falam, falam e com ares sinistros
Mentem ao povo que consente
Política, mundo da democracia
E revolta da indignidade que relatei
Anos a fio a fugir à diplomacia
E muitos desgostos por que passei
Nesta antevisão da morte
Quero deixar o meu testamento
Aos herdeiros que sem sorte
Ficam histórias eternamente
Dinheiro e extratos bancários
É coisas que não vão ter
Muito menos bens imobiliários
Ficam as saudades... Até ver
Deixo palavras aos milhares
Em livros para ler e guardarem
Lembranças com muitos azares
Amor e saudade se me recordarem
Na história, penso, que ficarei
Um combatente incompreendido
Imperfeito pelo muito que amei
Jamais fui coitado e arrependido
Não quero mais lamentações
Tudo faz parte da viva vivida
Fiquem com gratas recordações
De quem não deu a vida perdida
Não chorem à frente do caixão
Chamem nomes e o que quiserem
Pensem que estarei sempre à mão
Despeçam-se, até já, se puderem
Agora, é de vez, vou partir
Graças a Deus, em pensamento
Despeço-me da vida a sorrir
E compreendam este tormento
Mas quando tal acontecer
Que seja assim, sem sofrimento
Um dia a morte terá que ser
Chegue e levem no momento
João Pina
13.10.2019
